“Dúvida,
o ponto de partida para o conhecimento,
pois,
se você dúvida de algo há duas opções, a primeira é
buscar a verdade a qualquer custo, e a segunda é ignorar,
aceitar, fingir que esta
tudo bem, viver uma ilusão.
Hoje, vendo o mundo desse lado cinzento acredito que os
ignorantes são realmente mais felizes.”
Dezoito dias
caminhando, sob um sol que parece estar mais perto de nossas cabeças
a cada passo. Linus segue sempre com a mesma expressão sombria no
rosto o tempo todo, desde que nos saímos só conversamos o
necessário sobre rotas, e direções para seguir viagem. Linus com
certeza esconde mais algum segredo, o que me deixa mais receoso em
continuar a viagem, ou talvez, no fundo o que eu tenha mesmo seja
medo do que ele possa vir a revelar.
Paramos para beber
água e descansar por alguns minutos em baixo de uma árvore. A
paisagem era agradável, a estrada longa e interminável ladeada por
arbustos verdes e flores amareladas da primavera. Enquanto um suave
vento varria as folhas a nossa volta observamos a pedra escarlate ou
o olho de sangue como Linus a apelidou. A pedra parece uma forma de
bussola, ela fica agora constantemente na sua forma brilhante, na
medida em que nos desviamos do caminho ela vai perdendo a força.
– Vocês
parecem perdidos – afirmou uma voz rouca – O que tem ai? –
perguntou o homem que apareceu por trás de nós sorrateiramente,
como se fosse de um gato se esgueirando para apanhar um pássaro na
janela. Ele aparentava ter uns quarenta e poucos anos, gordo como um
leitão, e cheio de anéis e correntes e brincos brilhantes.
– Estávamos te
esperando – parecendo já conhecê-lo a muito tempo, Linus disse
fitando o homem enquanto segurava a pedra brilhante na outra mão.
– Como assim? Ele
é magro, cabelos negros mais ou menos até o ombro, a gente estava
procurando um posto de gasolina eu desci até a beira da estrada para
urinar e quando se virei ele havia sumido.
– A pedra brilha
perto de você, isso significa que deve ir conosco nessa viagem.
Antes que Linus pudesse continuar a dar mais explicações sobre a
pedra e a viagem, eu no impulso o rodeei e enviei uma faca em suas
costas. Antes que ele pudesse se virar sua camisa branca se tornou
uma grande mancha vermelha que logo virou um rio de sangue quando ele
caiu no chão. Logo surgiu atrás de mim um homem com as mesmas
habilidades de não ser notado que primeiro,
– Eu sou o homem
que vocês procuram. Esse idiota ai no chão era o meu irmão
pensando que iria roubar minha chance de encontrar as Keres*.
Você me fez um grande favor, obrigado. Meu nome é Dário.
– O rico –
confirmou Linus.
*Keres,
deusas da morte na mitologia grega que buscavam os humanos para a
morte. Durante as guerras elas se devoram os corpos dos mortos em
combate.
* Keres,
deusas da morte na mitologia grega que buscavam os humanos comuns
Continua...

muito bom cara! adorei esse capitulo!
ResponderExcluir(nota: acento agudo pra diferenciar nós de nos)
Valeu :)
ResponderExcluiro maluco! cade o proximo episodio?
ResponderExcluir