quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Anathema_4




Anathema_4

 
“Dúvida, o ponto de partida para o conhecimento,
pois, se você dúvida de algo há duas opções, a primeira é
buscar a verdade a qualquer custo, e a segunda é ignorar,
 aceitar, fingir que esta tudo bem, viver uma ilusão.
Hoje, vendo o mundo desse lado cinzento acredito que os
ignorantes são realmente mais felizes.”

     Dezoito dias caminhando, sob um sol que parece estar mais perto de nossas cabeças a cada passo. Linus segue sempre com a mesma expressão sombria no rosto o tempo todo, desde que nos saímos só conversamos o necessário sobre rotas, e direções para seguir viagem. Linus com certeza esconde mais algum segredo, o que me deixa mais receoso em continuar a viagem, ou talvez, no fundo o que eu tenha mesmo seja medo do que ele possa vir a revelar.
     Paramos para beber água e descansar por alguns minutos em baixo de uma árvore. A paisagem era agradável, a estrada longa e interminável ladeada por arbustos verdes e flores amareladas da primavera. Enquanto um suave vento varria as folhas a nossa volta observamos a pedra escarlate ou o olho de sangue como Linus a apelidou. A pedra parece uma forma de bussola, ela fica agora constantemente na sua forma brilhante, na medida em que nos desviamos do caminho ela vai perdendo a força.
     – Vocês parecem perdidos – afirmou uma voz rouca – O que tem ai? – perguntou o homem que apareceu por trás de nós sorrateiramente, como se fosse de um gato se esgueirando para apanhar um pássaro na janela. Ele aparentava ter uns quarenta e poucos anos, gordo como um leitão, e cheio de anéis e correntes e brincos brilhantes.
     – Estávamos te esperando – parecendo já conhecê-lo a muito tempo, Linus disse fitando o homem enquanto segurava a pedra brilhante na outra mão.
     – Como assim? Ele é magro, cabelos negros mais ou menos até o ombro, a gente estava procurando um posto de gasolina eu desci até a beira da estrada para urinar e quando se virei ele havia sumido.
     – A pedra brilha perto de você, isso significa que deve ir conosco nessa viagem. Antes que Linus pudesse continuar a dar mais explicações sobre a pedra e a viagem, eu no impulso o rodeei e enviei uma faca em suas costas. Antes que ele pudesse se virar sua camisa branca se tornou uma grande mancha vermelha que logo virou um rio de sangue quando ele caiu no chão. Logo surgiu atrás de mim um homem com as mesmas habilidades de não ser notado que primeiro,
     – Eu sou o homem que vocês procuram. Esse idiota ai no chão era o meu irmão pensando que iria roubar minha chance de encontrar as Keres*. Você me fez um grande favor, obrigado. Meu nome é Dário.
     – O rico – confirmou Linus.

*Keres, deusas da morte na mitologia grega que buscavam os humanos para a morte. Durante as guerras elas se devoram os corpos dos mortos em combate.
               
* Keres, deusas da morte na mitologia grega que buscavam os humanos comuns
Continua...

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