Anathema_3
– Recebi essa carta quando pequeno, um homem bastante velho me entregou e me deu uma pedra vermelha escarlate – falou Linus enquanto desembrulhava delicadamente o papel com seus dedos finos com a pele fazendo o contorno dos ossos.
– Que pedra é
essa Linus? O que tem nesse maldito papel, que parece ser medieval o
coisa parecida? – perguntei prestando mais atenção nos seus olhos
assustadores do que no envelope que trazia.
Linus levou o papel,
desgastado pelo tempo a altura dos olhos e leu:
“ É
você, o que carrega o nome de iluminado”.
– Tá, e que
diabo quer dizer isso – perguntei, percebendo que ele parecia
entusiasmado com o que acabara de ler.
– O velho que me
deu a carta disse que eu levaria três homens para um lugar, onde nós
receberíamos o que o coração de todo homem deseja realmente no seu
interior, e depois me deu a pedra, quando e a toquei, meus olhos
mudaram de um azul claro como um dia de verão, para um preto
profundo e impenetrável – disse em tom baixo e com os olhos
fitando o chão, parecendo entristecido pelo fato.
– Essa é a
historia mais maluca que já ouvi – disse já levantando para sair
do quarto – Supondo que essa maluquice seja real, quem são esses
homens e como você levaria esses loucos até o mundo mágico de oz?
– Sinceramente
não sei – falou enquanto desembrulhava algo de uma pequena bolsa
de couro – Acredito que a pedra seja a chave. Quanto os homens eu
já encontrei o primeiro, ele atende como Bianor.
– Ah não venha
me por em suas aventuras de contos de fadas, já estou bem grandinho
pra brincar de explorador – disse já com minha paciência se
esgotando, mas perdi a fala quando ele me mostrou a tal pedra, e ela
era linda, nunca tinha visto nada parecido. Ao mesmo tempo em que ela
era linda, também me causava um mal estar, como se ela tivesse vida
própria.
– Bianor, temos
que ir agora, precisamos encontrar os outros – por mais louca que
era a historia, Linus parecia realmente acreditar no que dizia, e
isso me deixou intrigado para ver até aonde ele ia com toda essa
loucura.
– Como você sabe
quem devemos encontrar? – perguntei.
– Eu tinha seis
anos quando conheci o ancião misterioso – disse na mais profunda
tristeza – Minha mãe me abandonou na porta da sua família
convicta que eu era um demônio ou algo parecido, esse ancião me
criou, sem muito afeto confesso. todas as noites desde aquele dia eu
sonho com três nomes, Bianor, Dário e Ulysses.
Fiquei realmente
surpreso, pois até então nada sabia dele, uma triste historia para
uma criança ser abandonado pela mãe tão novo.
– Certo Linus se
você me der uma prova do que diz é real, eu viajarei com você até
o fim do mundo se for o caso – falei com um to sarcástico,
querendo por fim nessa conversa maluca.
– Hoje quando
acordei a pedra brilhava tão forte como o sol, soube na hora que
tinha chegado o momento de ir – colocou a pedra que refletia a luz
da manhã em cima da mesa.
De uma hora pra
outra a cor escarlate da pedra foi ficando intensa, até se tornar
como um cometa ou uma tocha de fogo avermelhada. Senti uma sensação
difícil de explicar como se todos os sentimentos viessem à tona de
uma só vez, alegria, tristeza, ódio, amor tudo junto se remoendo no
peito.
– Mais alguma
dúvida – perguntou Linus sorrido quando a luz da pedra cessou e eu
pude ver seu rosto novamente.
A única coisa que
pude dizer ainda esfregando os olhos foi:
Vou fazer as
malas.
Continua próxima quinta feira

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