quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Anathema_3

        


Anathema_3

    
    – Recebi essa carta quando pequeno, um homem bastante velho me entregou e me deu uma pedra vermelha escarlate – falou Linus enquanto desembrulhava delicadamente o papel com seus dedos finos com a pele fazendo o contorno dos ossos.
       – Que pedra é essa Linus? O que tem nesse maldito papel, que parece ser medieval o coisa parecida? – perguntei prestando mais atenção nos seus olhos assustadores do que no envelope que trazia.
Linus levou o papel, desgastado pelo tempo a altura dos olhos e leu:
É você, o que carrega o nome de iluminado”.
       – Tá, e que diabo quer dizer isso – perguntei, percebendo que ele parecia entusiasmado com o que acabara de ler.
    – O velho que me deu a carta disse que eu levaria três homens para um lugar, onde nós receberíamos o que o coração de todo homem deseja realmente no seu interior, e depois me deu a pedra, quando e a toquei, meus olhos mudaram de um azul claro como um dia de verão, para um preto profundo e impenetrável – disse em tom baixo e com os olhos fitando o chão, parecendo entristecido pelo fato.
        – Essa é a historia mais maluca que já ouvi – disse já levantando para sair do quarto – Supondo que essa maluquice seja real, quem são esses homens e como você levaria esses loucos até o mundo mágico de oz?
      – Sinceramente não sei – falou enquanto desembrulhava algo de uma pequena bolsa de couro – Acredito que a pedra seja a chave. Quanto os homens eu já encontrei o primeiro, ele atende como Bianor.
      – Ah não venha me por em suas aventuras de contos de fadas, já estou bem grandinho pra brincar de explorador – disse já com minha paciência se esgotando, mas perdi a fala quando ele me mostrou a tal pedra, e ela era linda, nunca tinha visto nada parecido. Ao mesmo tempo em que ela era linda, também me causava um mal estar, como se ela tivesse vida própria.
      – Bianor, temos que ir agora, precisamos encontrar os outros – por mais louca que era a historia, Linus parecia realmente acreditar no que dizia, e isso me deixou intrigado para ver até aonde ele ia com toda essa loucura.
         – Como você sabe quem devemos encontrar? – perguntei.
      – Eu tinha seis anos quando conheci o ancião misterioso – disse na mais profunda tristeza – Minha mãe me abandonou na porta da sua família convicta que eu era um demônio ou algo parecido, esse ancião me criou, sem muito afeto confesso. todas as noites desde aquele dia eu sonho com três nomes, Bianor, Dário e Ulysses.
Fiquei realmente surpreso, pois até então nada sabia dele, uma triste historia para uma criança ser abandonado pela mãe tão novo.
     – Certo Linus se você me der uma prova do que diz é real, eu viajarei com você até o fim do mundo se for o caso – falei com um to sarcástico, querendo por fim nessa conversa maluca.
     – Hoje quando acordei a pedra brilhava tão forte como o sol, soube na hora que tinha chegado o momento de ir – colocou a pedra que refletia a luz da manhã em cima da mesa.
De uma hora pra outra a cor escarlate da pedra foi ficando intensa, até se tornar como um cometa ou uma tocha de fogo avermelhada. Senti uma sensação difícil de explicar como se todos os sentimentos viessem à tona de uma só vez, alegria, tristeza, ódio, amor tudo junto se remoendo no peito.
      – Mais alguma dúvida – perguntou Linus sorrido quando a luz da pedra cessou e eu pude ver seu rosto novamente.
A única coisa que pude dizer ainda esfregando os olhos foi:
Vou fazer as malas.

Continua próxima quinta feira 
               


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