quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Anathema_5



Anathema_5

Lá também está a melancólica casa da Noite;
Nuvens pálidas a envolvem na escuridão; Antes delas, Atlas se porta ereto, e sobre sua cabeça, com seus braços incansáveis, sustenta firmemente o amplo céu, onde a Noite e o Dia cruzam um patamar de bronze e então se aproximam um do outro’’ (trecho da Teogonia de Hesíodoo)

       – Uma pedra leva a outra pedra, que leva a outra pedra, assim sucessivamente, já temos duas, que nos levarão a terceira, ai sim conquistaremos as glorias que as Keres prometeram a aqueles que tiverem as pedras – dizia Dário enquanto montavamos acampamento.
        – Quem, ou o que são exatamente as keres? – perguntou Linus por fim entrando na conversa.
       – Era de se esperar que o “iluminado” não saberia muita coisa a respeito das deusas da morte. As Keres são as filhas de Nix, a deusa dos segredos e mistérios noturnos, as pedras são dos seus colares, reza a lenda que esses colares são o que elas mais apreciam, então, nós, estamos indo fazer uma pequena troca, pois essas pedras foram perdidas durante as guerras na pré-história grega – a lua já se escondia entre as nuvens, bem de longe alguns sons melancólicos, de uivos e animais noturnos faziam a trilha sonora da noite.
     O dia amanheceu nublado e abafado, nem uma brisa sequer soprava naquela manhã, depois de um pouco de caminhada chegamos a um campo imenso, e muito verde, exceto por um pequeno círculo, onde a terra parecia ter sido queimada. Apalpei a terra queimada com as mãos e senti algo muito quente por baixo, com uma faca fiz uma pequena escavação e, lá estava ela brilhando como fogo. Passamos o dia acampados ali discutidos qual seria o nosso próximo passo e como iríamos encontrar essas “deusas”. No comecinho da noite Dário nos disse para nos reunirmos ao redor do círculo onde a pedra foi encontrada, e depositássemos todas as pedras ali, ele tirou uma pedra escarlate da pequena bolsa, para nosso espanto ele também possuía uma. E a manteve ali escondida por todo esse tempo.
      A noite já ia escura quando algo começou a revirar a terra, mãos e garras saiam brotavam do chão procurando algo em que se agarrar. Uma criaturas aladas surgiu, com imensas vestes negras e asas translucidas onde se via toda a estrutura óssea, nervos e veias. A maior parte do rosto era coberto por um capuz, seus dentes proeminentes e amarelados sobressaiam sobre os outros, garras enormes e encurvadas nas mãos e nos pés descalços. Com certeza a criatura mais horrenda que se pode imaginar. Permanecendo estáticos com o que presenciávamos, ela veio até nós, tomou as pedras de nossas mãos e ficou andando de um lado para o outro de frente para cada um de nós. De repente ela parou olhando nos meus olhos gritou: Akhlys! E uma nevoa estranha surgiu da terra revirada. Cheirava enxofre, algo pútrido e medo.

CONTINUA...

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