Anathema_5
“Lá também está a
melancólica casa da Noite;
Nuvens pálidas a envolvem na escuridão; Antes delas, Atlas se porta ereto, e sobre sua cabeça, com seus braços
incansáveis, sustenta firmemente o amplo céu, onde a Noite e o Dia cruzam um
patamar de bronze e então se aproximam um do outro’’ (trecho da Teogonia de Hesíodoo)
– Uma
pedra leva a outra pedra, que leva a outra pedra, assim
sucessivamente, já temos duas, que nos levarão a terceira, ai sim
conquistaremos as glorias que as Keres prometeram a aqueles que
tiverem as pedras – dizia Dário enquanto montavamos acampamento.
–
Quem, ou o que são exatamente as keres? – perguntou Linus por fim
entrando na conversa.
–
Era de se esperar que o “iluminado” não saberia muita coisa a
respeito das deusas da morte. As
Keres são as filhas de Nix, a deusa dos segredos e mistérios
noturnos, as pedras são dos seus colares, reza a lenda que esses
colares são o que elas mais apreciam, então, nós, estamos indo
fazer uma pequena troca, pois essas pedras foram perdidas durante as
guerras na pré-história grega –
a lua
já se escondia entre as nuvens, bem de longe alguns sons
melancólicos, de uivos e animais noturnos faziam a trilha sonora da
noite.
O
dia amanheceu nublado e abafado, nem uma brisa sequer soprava naquela
manhã, depois de um pouco de caminhada chegamos a um campo imenso, e
muito verde, exceto por um pequeno círculo, onde a terra parecia ter
sido queimada. Apalpei a terra queimada com as mãos e senti algo
muito quente por baixo, com uma faca fiz uma pequena escavação e,
lá estava ela brilhando como fogo. Passamos o dia acampados ali
discutidos qual seria o nosso próximo passo e como iríamos
encontrar essas “deusas”. No comecinho da noite Dário nos disse
para nos reunirmos ao redor do círculo onde a pedra foi encontrada,
e depositássemos todas as pedras ali, ele tirou uma pedra escarlate
da pequena bolsa, para nosso espanto ele também possuía uma. E a
manteve ali escondida por todo esse tempo.
A noite já ia escura quando algo começou a revirar a terra, mãos e
garras saiam brotavam do chão procurando algo em que se agarrar. Uma
criaturas aladas surgiu, com imensas vestes negras e asas
translucidas onde se via toda a estrutura óssea, nervos e veias. A
maior parte do rosto era coberto por um capuz, seus dentes
proeminentes e amarelados sobressaiam sobre os outros, garras enormes
e encurvadas nas mãos e nos pés descalços. Com certeza a criatura
mais horrenda que se pode imaginar. Permanecendo estáticos com o que
presenciávamos, ela veio até nós, tomou as pedras de nossas mãos
e ficou andando de um lado para o outro de frente para cada um de
nós. De repente ela parou olhando nos meus olhos gritou: Akhlys!
E uma nevoa estranha surgiu da terra revirada. Cheirava enxofre, algo
pútrido e medo.
CONTINUA...

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