quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Anathema_6



Anathema_6


     Um lugar sem fronteiras, gravidade, até mesmo as leis da física são desafiadas aqui, é como se eu morresse e voltasse à vida a cada segundo, a cada batida do coração o sentimento de dor, angustia e desespero. Fomos tragados de alguma forma para esse lugar, assim que a névoa cobriu toda a luz da lua que havia ali e transformou uma noite enluarada numa massa negra que cobriu nossos olhos e almas.
     – A Névoa da morte – disse um homem com voz de trovão que vestia um manto escuro , pouco se via do seu rosto por causa do capuz, a pele de suas mãos eram coberta por feridas, e sangue seco.
    Ainda meio indolente com os acontecimentos ocorridos, nem tinha percebido que Linus, e Dário ainda estavam no chão atrás de mim se recuperando do impacto da queda. Tomei coragem me aproximei do homem com o capuz e disse:
     –Quem é você? Sabe onde estamos?
     –Meu nome é Ulysses, posso estar aqui a mais tempo do gostaria de lembrar, ou há apenas algumas horas, não sei dizer ao certo. A ambição nos leva longe, mas, nos consome pouco a pouco como a brisa do mar corroí o metal.
    –Nós viemos usando pedras mágicas como bússola, vermelhas como sangue e quente como fogo as pedras que elas queriam, e em troca iriam saciar os desejos de nossos corações, e pelo que vejo fomos enganados.
    –As Keres não enganaram vocês, elas são as deusas da morte, vem para buscar os humanos e leva-los para a mais horrível forma de morrer que se pode imaginar. O fato é que o coração do homem pode ser iluminado por todos os faróis do mundo, e ainda assim seria tão escuro quanto a mais sombria das noites. – disse Ulysses, com um olhar distante e desprovido de qualquer brilho, qualquer esperança e nenhuma vida.
     Dário e Linus se aproximaram, e ficamos por alguns momentos tentando absorver todo o ocorrido até que Linus quebrou o silêncio e falou:
     –Deve haver algum modo de sair daqui, esse lugar é estranho, mais não deve ser impossível fugir, seja lá que tipo de magia elas usam deve haver um jeito.
    –Linus, ainda quase tão inocente como na noite que te dei a carta, vejo que não enlouqueceu, e infelizmente veio parar aqui, bem, pouco importa agora eu fiz o que tinha que fazer e não me arrependo por isso.

     Somos quatro agora, Dário, Linus, Ulysses, e eu Bianor. Vagamos por essa escuridão há bastante tempo, viemos por algum objetivo pessoal, aventura, poder, riqueza etc., mas no fim tudo o que nosso coração tinha escondido era apenas escuridão. Enquanto caminhava refletia nas palavras de Ulysses: (…) “posso estar aqui a mais tempo do gostaria de lembrar...”

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