sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Anathema_1



Anathema_1


          Acordei subitamente no meio da noite. Empurrei para o lado o lençol que estava em cima de mim e me sentei na beirada da cama. Minha visão estava turva, e eu estava tonto, sonolento. Estava confuso. Sentia uma mistura de medo e adrenalina, mas também alivio. Havia despertado de um sonho, ou melhor, um pesadelo. Esfreguei os olhos com as pontas dos dedos e mesmo assim ainda não enxergava com nitidez. Fui até a geladeira e tomei um copo d’água que desceu com gosto amargo. Voltei a me deitar e tentei dormir novamente, mas, o pesadelo não era só uma criação da minha imaginação, na verdade, eu já tinha visto a maior parte das cenas. Minha existência se tornou um pesadelo sem fim, onde as cores são mórbidas, o ar é pesado e o sol banha a terra com seus raios fúnebres como se já estivesse no fim da sua missão de aquecer o planeta. Esse é o mundo que vejo agora.
          Estou sempre rodeado de pessoas, mas continuo sozinho. Tudo parece sujo e doentio. E a cada sorriso que vejo, o pesadelo fica mais real.
          Minha história começou com uma aventura. Eu era um jovem cheio de vida, entusiasmado em desbravar o mundo. Desvendar os seus segredos. Num instante eu era forte, intocável. No outro, parecia que meu coração batia fora peito, exposto à poluição do ar, frágil. Eu precisaria fazer um apanhado de toda minha trajetória para ver onde eu me perdi, onde me desviei até chegar aqui.
          Só três iguais a mim sabem o que eu estou sentindo, como se conseguisem ver a minha alma. Não tenho certeza se estamos vivos, mas o fato de eu estar aqui é prova que também não estamos mortos. Algumas vezes penso que seria mais confortável estar morto.
          Meu nome é Bianor, e vou contar a história de como cheguei até aqui. Eu sou um dos quatro que buscaram poder, riqueza, gloria e vingança. Conseguimos saciar os nossos pequenos monstros por algum tempo, só que eles não deveriam ser alimentados, deveriam ficar presos, enjaulados, custe o que custar. Nós os libertamos, mas o preço foi alto demais.


Ninguém deveria viver pra sempre.

Continua...
                 

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